Como lidar com a febre nas crianças?

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Nesta última semana enfrentamos  mais uma daquelas viroses com a nossa pequena. Foi uma espécie de gripe mais severa cujos sintomas foram tosse esporádica, bastante secreção nas vias superiores e muita febre. Foram exatamente 5 dias de febres intermitentes, com temperaturas variando entre 37,6 e 39 graus, que só cediam quando lhe dávamos a medicação.

Felizmente, agora está tudo bem. Marina está bem melhor e já até voltou à escolinha. Mas essa experiência me deixou intrigada em relação à recomendação que recebi dos médicos, tanto da pediatra que a acompanha, quanto da médica que a atendeu no pronto socorro. Ambas nos orientaram a não medica-la com frequência para baixar a temperatura. Disseram que, na hipótese de um quadro febril, aquele em que a criança ainda apresenta uma temperatura abaixo de 38 graus, não se faz necessário o uso de antipirético (medicamento que baixa a temperatura corporal).

Assim fizemos, durante todo o período da virose, mas confesso que fiquei muito intrigada a esse respeito. Sempre pensei que a febre deveria ser combatida ao seu primeiro sinal, de forma que se impedisse o aumento da temperatura corporal e até mesmo um estado de convulsão. Palavra que chega a causar arrepios nos pais.

Então, passei esses últimos dias me questionando: Por que temos que esperar tanto para medicar nossos filhos? Como suportar vê-los tristinhos e sem energia se sabemos exatamente o que fazer para acabar com a febre?

Fiz tudo certinho ao longo do tratamento, mas agora que tudo passou, resolvi pesquisar sobre o assunto e o resultado do que aprendi divido com vocês nesse post.

Antes de tudo, informo que todo o conteúdo disponibilizado é proveniente de um artigo publicado no Pediatrics, o jornal oficial da Academia Americana de Pediatria, intitulado de Febre e o uso de antipiréticos em crianças.

Por meio do link, você tem acesso ao documento na íntegra.

Para um maior direcionamento, resolvi transcrever as partes mais elucidativas do artigo.

O que é a febre?

“A febre não é uma doença e sim um mecanismo fisiológico com efeitos benéficos no combate à infecção.”

Para que serve a febre?

“A febre retarda o crescimento e reprodução de bactérias e viroses, estimula a produção de neutrófilos e proliferação de linfócitos T e ajuda na reação aguda do corpo.”

Toda febre é sinal de alerta?

“O nível de febre não está correlacionada sempre com gravidade da doença. Muitas febres são de curta duração, benignas, e podem realmente proteger o indivíduo.”

Quais os benefícios da febre?

“Dados mostram efeitos benéficos em certos componentes do sistema imune na febre, e alguns dados revelaram que a febre realmente ajuda o corpo a se recuperar mais rapidamente de infecções virais, mesmo que a febre possa resultar em desconforto na criança.”

Por que medicar com antitérmico/antipirético?

“Os efeitos benéficos em potencial da redução da febre incluem o alívio do desconforto do paciente e a redução da perda hídrica insensível, que pode diminuir a ocorrência de desidratação.”

Por que não devemos medicar de forma antecipada?

“Os riscos de diminuição da temperatura incluem um atraso na identificação do diagnóstico subjacente e o início do tratamento apropriado e toxicidade da droga. Não há evidências de que crianças com febre estejam em um risco maior de efeitos adversos como danos cerebrais. A febre é uma resposta fisiológica comum e normal.”

O que os pais devem saber?

“A febre, por si só, não aumenta o risco geral em uma criança saudável. Ao contrário, a febre pode realmente ser benéfica; dessa forma, a real meta da terapêutica antipirética não é simplesmente normalizar a temperatura corporal, mas melhorar o estado geral, o conforto e o bem-estar da criança.”

Como base nas perguntas e respostas apresentadas, a decisão de medicar ou não a criança deve ficar a critério do pediatra e dos pais, mas estes deverão ter em mente que o uso de antipiréticos não previne a convulsão febril, complicação que, apesar de benigna, é tão temida pelos pais.

Os pediatras também precisam compreender que muito mais importante do que controlar a temperatura corporal das crianças é focar na monitoração de sinais e sintomas de doenças graves, além de orientar pais e cuidadores sobre o uso, dosagem e estocagem segura de antipiréticos e sobre a necessidade de melhorar o conforto da criança por meio da hidratação.

Não se pode esquecer que a febre é apenas uma indicação de um processo em andamento e esse sim deve ser pesquisado, diagnosticado e tratado. Com a evolução e resolução desse quadro, a febre, juntamente com todos os outros sintomas, irá ceder.

Então, papais e mamães, diante de um quadro de febre, mantenham-se tranquilos, na medida do possível, e busquem orientação médica, mas não antecipem a medicação dos pimpolhos. Melhor do que medicar é dar muito carinho.

Até o próximo encontro!

 

 

 

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