Por que as mulheres temem a maternidade?

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Amanhã é um dia especial, aquele em que comemoramos a existência da pessoa mais importante de nossas vidas: a nossa mãe. Em razão disso, pensei em escrever um post igualmente especial e, de repente, me veio da mente um assunto sobre o qual tenho refletido muito desde que me tornei mãe.

De verdade, não vou aqui falar sobre as maravilhas da maternidade, nem me derramar em belas palavras sobre a importância desse ser supremo que é a mãe. Hoje quero falar exatamente do contrário, do medo que tem afastado tantas mulheres dessa experiência.

Devo confessar que eu mesma já vivenciei esse medo e o revivo sempre que penso em uma segunda gravidez. Já falei aqui no blog que, desde quando me casei, esperei nada menos do que sete anos para engravidar. Naquela época, eu tinha um verdadeiro pânico da pergunta “quando virá o bebê?”, especialmente porque ela vinha com muita frequência e minha resposta era sempre recebida com críticas.

Eu casei cedo, aos 25 anos, quando ainda estava na faculdade. Nessa época, tinha muitos planos, desejava viajar bastante, curtir muitos carnavais e acordar tarde por muitos domingos. Definitivamente, nada disso era compatível com a existência de um filho.

Logo após o casamento, decidimos que precisávamos de todo esse tempo para curtir bastante a vida a dois e chegava a ficar incrédula quando alguma amiga me falava que era louca pra ser mãe, que assim que se casasse já queria engravidar. Aquilo me assustava mesmo. Eu não conseguia compreender o por quê de tanta pressa. Sempre achei um desperdício, para o casal, ter filhos cedo.

Admito que esse pensamento me fez sofrer. O tempo passava e a vontade de ser mãe não chegava. O prazo estava acabando e eu ainda não conseguia me encantar com as crianças do parque. Cheguei a pensar que eu não havia nascido para ser mãe. Mas, também, nunca descartei essa possibilidade. Mesmo no auge dos meus medos, lá no fundo, eu sabia da importância da maternidade para uma mulher. O problema é que eu só pensava nas perdas, em tudo o que eu precisaria abrir mão para ter um filho. Naquela época, eu não conseguia enxergar os ganhos.

Cheguei a me julgar uma mulher insensível e egoísta. Mas agora, depois de muita reflexão e, principalmente, após a transformação que experimentei com a maternidade, consigo compreender os sentimentos que me tomavam, onde eles surgiram e porque eles se repetem com tanta frequência entre as mulheres da minha geração.

Costumo dizer que vivemos (nós mulheres) um tempo em que a maternidade é muito mais difícil. E você deve achar que estou equivocada, afinal, vivemos numa época em que podemos contar com fraldas descartáveis, máquinas de lavar roupas, babás eletrônicas, uma série de recurso que nossas mães e avós não tiveram. Acontece que eu não estou falando do trabalho em si. Quando eu digo que a maternidade é mais difícil nos dias de hoje, estou me referindo à aceitação. As mulheres não têm sido condicionadas para aceitar a maternidade.

Na época das nossas mães e, principalmente, das nossas avós, tudo era diferente. As mulheres cresciam sendo educadas sob a perspectiva da maternidade. Na verdade, essa era sua principal função e nem se cogitava que ela se interessasse por outras. Hoje é tudo diferente. Desde pequenas, somos educadas para conquistar um espaço no mercado de trabalho. Somos direcionadas a casar mais tarde; nos fazem acreditar que a maternidade não é tão recompensadora, que ela impede o crescimento profissional da mulher, que faz com que sejamos submissas. Eu admito que fui educada sob essa perspectiva.

Não culpo a minha mãe por ter me influenciado a pensar assim. Tenho certeza de que suas intenções foram as melhores. Ela sempre desejou pra mim um futuro diferente do dela. E eu entendo suas angústias, suas dores. Ela casou-se jovem, engravidou cedo, quando tinha acabado de se formar num curso técnico. Naquela época, havia sido convocada para assumir um estágio em outro Estado, mas, em razão da gravidez e do próprio casamento, abriu mão de tudo. Engravidou novamente (era a minha vez), com um intervalo menor do que dois anos da primeira gestação, de forma que todos os seus sonhos profissionais foram deixados de lado por anos.

Reconheço todo o empenho da minha mãe. Ela abriu mão da sua vida profissional para se dedicar a mim e ao meu irmão. Somente quando já havíamos chegado à adolescência, ela resolveu retomar seu caminho, o que me faz sentir ainda mais orgulho dela. Mas, toda essa doação a deixou um pouco resistente sobre a maternidade. Lembro-me com clareza das suas reclamações, principalmente naqueles dias em que o trabalho era mais intenso e quando a gente não facilitava. Ela dizia, especialmente para mim: “não faça o que eu fiz”; “não tenha filhos assim que casar”; “não abandone sua vida profissional para ter filhos”. Cresci ouvindo isso e essas palavras me fizeram acreditar que a maternidade não era um bom negócio para a mulher.

Hoje, compreendo que minha mãe falava de forma inconsciente, sem entender as consequências que aquilo poderia me causar e, principalmente, nos momentos mais difíceis da maternidade. Eu mesma sou mãe há tão pouco tempo e já me peguei falando cada bobagem, reclamando sem motivos, ou, mesmo quando há motivos, sem fazer a reflexão de que os momentos difíceis fazem parte de um contexto em que há muito mais ganho do que perdas.

Atualmente, as coisas são bem diferentes. Minha mãe se tornou uma ávida defensora das grandes famílias. Vive perguntando quando virá o terceiro neto (meu irmão também tem uma menininha) e me fazia críticas exageradas naquele período dos sete anos. Felizmente, depois de retomar sua vida profissional e conquistar seu lugar, ela conseguiu compreender que por trás de todos aqueles momentos difíceis existe um bem maior. Nunca chegamos a conversar sobre isso, mas sei que ela faria tudo novamente e do mesmo jeito, porque sabe que valeu a pena.

Apesar do meu medo em relação à maternidade ter surgido sob a influência da minha própria mãe, no convívio do meu lar, muitos outros fatores têm afastado as mulheres do desejo de ter filhos. Um deles é o excesso de pensamentos feministas equivocados. Eles afastam as mulheres da sua essência, fazendo-as acreditar que lutar por igualmente de sexo é o mesmo que negar suas singularidades e o que as diferencia dos homens. Sob o manto desses pensamentos, muitas mulheres acreditam que os filhos lhe afastarão das suas conquistas, que tomarão sua liberdade e lhe colocarão numa posição de inferioridade em relação ao seu parceiro, já que a carga de trabalho recairá mais sobre ela.

Um outro ponto que tem impulsionado a aversão à maternidade é a realidade da sociedade de consumo, em que as conquistas materiais valem mais do que as afetivas. Ter filhos significa promover uma reorganização do orçamento familiar, rever prioridades e direcionar uma parcela dos gastos para aquele novo indivíduo. E posso dizer que se trata de uma parcela considerável. Na sociedade de hoje, os casais estão mais preocupados em comprar um apartamento maior, trocar de carro, fazer a viagem dos sonhos, tudo antes de pensar em ter filhos.

Além do mais, vivemos um momento de individualismo exacerbado, onde cada um quer ser dono de sua própria vida, sem se prender ao outro, sem se doar ao outro. Esse pensamento forma uma sociedade tão egoísta a ponto de influenciar nossa decisão de ter filhos. Como eu disse em outra oportunidade, ter um filho é a maior prova de doação do ser humano.

Entendo quando as minhas amigas, que ainda não são mães, demonstram desinteresse pela maternidade. De verdade, sei como elas se sentem. Diante de tantas influências que nos afastam desse desejo, seria até um estupidez não compreende-las. Mas, se eu posso fazer algo para neutralizar um pouco dessa influência é dizendo a elas que a mulher não precisa se anular para ser mãe, que existe vida após a maternidade e que essa vida é muito mais bela e completa. Devo ainda dizer o mais importante: a maternidade sempre valerá a pena porque é a maior realização de uma mulher.

Portanto, meninas, não tenham medo de viver a experiência mais transformadora e gratificante que a natureza nos deu com exclusividade. Lembrem-se de que a maternidade é um dom tão precioso, que não foi concedido a qualquer ser humano, apenas nós mulheres temos o privilégio de exercê-la.

Feliz dia das mães!

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