Os 10 mandamentos da amamentação

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Na semana mundial de aleitamento materno, resolvi escrever um post especial sobre o assunto, que informa 10 dicas fundamentais para o sucesso da mamada. Espero que gostem!

Vira e mexe sou questionada sobre o que a mãe deve fazer para conseguir amamentar seu bebê com sucesso. Confesso que essa pergunta intriga até a mim que sou consultora em aleitamento materno. Sempre me questiono: por que amamentar nossos bebês é tão difícil nos dia de hoje? Sendo a amamentação algo tão instintivo e natural, não deveria ser fácil?

Bem, não sei responder ao certo o motivo pelo qual nós mulheres enfrentamos tantos obstáculos para estabelecer uma amamentação efetiva, mas desconfio que algumas questões da sociedade moderna reforçaram a dificuldade natural do ato. Isso porque, mesmo nos tempos das nossas avós, amamentar já era difícil.

O fato é que a mulher que deseja amamentar hoje deve transpor um série de barreiras sociais. Uma delas é o lobby da indústria alimentícia, que insiste em afirmar que o leite produzido por ela é tão bom quanto o que vem do peito; assim como as propagandas comerciais que nos apresentam mamadeiras e bicos artificiais como grandes substitutos do seio. Tem também os pitaqueiros de plantão que, como grandes especialistas em aleitamento,  afirmam que o leite do peito é fraco. Esses estão sempre a postos para nos fornecer suas sábias opiniões.

A orientação equivocada de alguns pediatras, ainda nos primeiros meses de vida do bebê, também pode desmotivar o aleitamento materno, especialmente se o bebê não ganhou o peso informado pela tal curva ideal de crescimento que eles costumam observar.

Então, mamães, tenham consciência de que, se desejam realmente amamentar seus bebês, deverão tomar algumas medidas para se blindar contra toda essa influência negativa, além de uma dose extra de paciência, persistência e dedicação.

Ao ler essas linhas, você deve estar se perguntando, o que ela quer dizer com tudo isso? Como irei alcançar essa fórmula mágica? Devo logo alertar que não há tal fórmula. Mas, há sim algumas regrinhas que, se seguidas a risca, certamente permitirão que qualquer mulher saudável possa amamentar seu filho com eficiência e, o que é melhor, de forma prazerosa.

Essas regrinhas podem ser denominadas de “os 10 mandamentos do aleitamento materno”. Vamos conhecê-las?

1. Pega ideal

O modo como o bebê posiciona sua boca no seio da mãe é fundamental para que a mamada ocorra com eficiência. Uma pega inadequada é a situação mais propícia para desencadear os primeiros problemas com a amamentação. Com ela, surgem as dores, as fissuras e até o ingurgitamento mamário, que pode evoluir para uma mastite.

Portanto, mamães, empenhem-se em realizar uma pega de excelência. No início, pode parecer bem difícil, principalmente se o bebê for daqueles mais sonolentos, mas eles aprendem rápido.

Prometo que muito em breve teremos um post só sobre a pega!

2. Livre Demanda

A livre demanda significa que o bebê é quem definirá o momento da mamada e a quantidade de leite que tomará. Neste sentido, não pode haver o estabelecimento de horários, intervalos estritos e quantidades pré-definidas. O recém-nascido precisa que seu tempo seja respeitado, já que não consegue mamar com tanta eficiência, nem é capaz de ingerir tanto leite. Por isso, os bebês que acabaram de nascer precisam realizar várias mamadas por dia para que suas necessidades nutricionais sejam alcançadas.

A livre demanda também é responsável pela manutenção da elevada produção de leite das mamas, tendo em vista que as células responsáveis pela fabricação do leite são estimuladas pela sucção. Assim, quanto mais o bebê mama, mais leite a mãe produz. Essa é a resposta natural do organismo para atender às necessidades do bebê.

3. Não usar bicos artificiais

O uso de bicos artificiais inibe o estabelecimento de uma mamada eficiente. Eles podem contribuir com a diminuição da produção de leite e até mesmo com o desinteresse do bebê pela amamentação no seio. Ao sugar um bico artificial, o mecanismo de sucção do recém-nascido é completamente diferente daquele adotado ao mamar no seio. O posicionamento da língua, assim como os músculos que serão utilizados, são completamente diferentes. Todo esse rol de informações tão distintas pode ocasionar um fenômeno denominado “confusão de bicos”, que ocorre quando o bebê, por não mais reconhecer o bico do seio, prefere o bico artificial, inclusive, porque considera mais fácil extrair o leite por meio dele.

4. Autoconfiança

A mulher que deseja amamentar seu filho tem que acreditar que é capaz. Tem que confiar na natureza do seu corpo e compreender que todas nós mulheres nascemos com essa aptidão. Somente com essa convicção, as mulheres poderão fechar seus ouvidos para todas aquelas influências negativas e alcançar a tão desejada mamada eficiente.

5. Dividir experiências

A fase inicial da amamentação ocorre num momento de relativa dificuldade. O puerpério é sinônimo de grandes alterações físicas e emocionais em que a mulher requer acolhimento, compreensão e cuidados especiais. Mesmo sendo um período de tanta fragilidade, a mulher precisa se manter forte, confiante e disponível para alimentar seu bebê. Em meio a tamanha responsabilidade, é natural que ela se sinta sozinha.

Neste momento, ouvir a experiência de outras mulheres que já superaram ou estão enfrentando as adversidades iniciais da amamentação pode lhes fortalecer. Essa troca de experiências faz a mulher compreender que não está sozinha, que outras mulheres também enfrentaram e superaram os obstáculos iniciais e o que é melhor, que elas podem contribuir com suas experiências.

6. Conhecer as dificuldades iniciais

É preciso que as mulheres conheçam a real situação que poderão enfrentar para alcançar uma amamentação efetiva. Idealizar que tudo será fácil, que com o seu bebê será diferente, é o mesmo que se enganar e, por consequência, frustrar-se com uma realidade ainda mais difícil de ser aceita.

A mulher deve confiar em sua capacidade de amamentar, mão não pode ignorar que as dificuldades existem e que deverão ser enfrentadas.

7. Buscar informação

Exatamente por conhecer as dificuldades iniciais, as mulheres precisam buscar informação para saber como lidar com cada uma delas. O conhecimento é capaz de transmitir segurança e permite que a mulher tenha capacidade de ação.

É importante que esse conhecimento seja apreendido antes do parto, quando a mulher ainda não está vivenciando os problemas da amamentação e não está envolvida pela fragilidade emocionalmente própria do período. Para tal, ela pode se valer de livros, grupos virtuais de amamentação, esclarecimentos de dúvidas com o próprio ginecologista, fazer um curso de gestante, ou, contratar um serviço de consultoria de aleitamento, o que seria mais apropriado, já que, neste caso, as informações são transmitidas com mais profundidade teórica e orientação prática.

8. Participar de grupos de apoio

Existem inúmeros grupos de apoio ao aleitamento materno. Alguns atuam no âmbito virtual como Facebook e WhatsApp, outros realizam reuniões presenciais, onde a interação é mais direta e efetiva. A importância desses grupos está no compartilhamento de informações e conhecimento por meio da troca de experiência, através de mulheres que estão vivenciando as mesmas dificuldades. Essa troca promove o acolhimento e apoio tão necessários nessa fase inicial.

Os problemas tendem a ser menores quando são compartilhados. Portanto, não se isole.

9. Buscar ajuda especializada, se necessário

Em regra, as mulheres não conseguem sozinhas lidar com as dificuldades da amamentação. E ainda, quando já buscaram informação e apoio, sentem-se incapazes de solucionar os problemas iniciais, porque estão emocionalmente envolvidas e porque a dificuldade enfrentada requer um trato mais técnico e especializado, que apenas um profissional da área pode fornecer.

Quando a situação chega a esse nível de dificuldade, a mulher não deve exitar em buscar a orientação de um profissional especializado, que pode ser a consultora de aleitamento materno ou até mesmo os profissionais dos bancos de leite. Alguns pediatras também estão aptos a orientar seus pacientes para a concretização de uma mamada eficiente, mas, infelizmente, a realidade tem mostrado que nem todos são capazes.

10. Buscar apoio das pessoas que estão próximas

O apoio das pessoas mais próximas é condição fundamental para que a mãe se sinta encorajada a superar as dificuldades iniciais da amamentação. A família, os amigos, os entes mais próximos são as pessoas mais importantes para essa mulher e portanto, suas opiniões tem um valor significativo. Por isso, é tão importante que a família acolha essa mulher, compreenda suas razões e confie na sua capacidade de amamentar, incentivando-a a superar as situações de crise. Como já dissemos, nessa fase a mulher se encontra fragilizada emocionalmente e tudo o que ela não precisa é de alguém que a critique, que ponha em dúvida suas decisões e a capacidade de alimentar seu próprio filho.

Bem, eram essas as dicas que eu queria trazer às minhas leitoras nesta semana de tamanha importância. Espero que elas possam lhes ajudar de alguma forma.

Até mais!

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