Desfralde – como e quando começar?

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Há tempos eu me preparava para escrever sobre esse assunto, especialmente porque estamos vivenciando o desfralde da nossa Marina. Acontece, que tudo o que eu havia lido até então me deixava muito confusa, principalmente sobre o momento certo de iniciar o processo. Eu temia antecipar o treinamento sem que minha filha estivesse completamente preparada para a nova fase e confesso que não compreendia muito bem os sinais que ela estava nos dando. Em alguns momentos achei que ela estivesse preparada, em outros percebi que ainda deveríamos esperar e finalmente, depois de estudar um pouco mais (estou me referindo à informação com embasamento científico) e conversar com nossa pediatra, pude perceber onde estávamos errando e o que precisava ser feito.

Partindo dessa experiência, decidi compartilhar o que a prendi aqui no blog. Quem sabe assim, consigo ajudar as famílias a lidar, da melhor forma possível, com essa nova fase da criança, que apesar de linda – por se tratar do seu desenvolvimento e amadurecimento naturais – pode ser bem difícil de ser encarada.

Quando começar

Especialistas indicam que o momento ideal para se iniciar o processo de desfralde ocorre quando a criança mostra que já atingiu maturidade suficiente para manter o controle do esfíncter. De acordo com a teoria freudiana, a partir dos 18 meses de vida a criança sai da fase oral e entra na fase anal, momento em que passa a adquirir certo controle sobre a bexiga e suas evacuações. Talvez em razão dessa teoria, se formou o entendimento que o processo de desfralde deva ser iniciado a partir dos 2 anos de idade. Acontece que cada criança tem a sua individualidade e portanto, seu próprio tempo para desenvolver a habilidade de segurar e soltar a urina e as fezes. A ansiedade dos pais em antecipar esse momento fará com que o processo de desfralde se mostre mais longo, trabalhoso e estressante, além de ser motivo de transtornos emocionais e clínicos. Intestino preso e infecções urinárias, por exemplo, podem ter origem na retirada precoce das fraldas.

Para o pediatra, Dr. Moisés Chencinski, a criança precisa vivenciar as três fases de controle do esfíncter para que se possa iniciar o processo de desfralde.

FASE I – a criança não consegue controlar suas evacuações, mas avisa que fez;

FASE II – a criança começa a ter as sensações das passagens pelo reto ou pela uretra, mas ainda não consegue conter ou reter. Nessa fase, ela é capaz de avisar que está fazendo;

FASE III – a criança consegue segurar as fezes e a urina. Esse é o momento em que ela passa a avisar que quer fazer.

De acordo com o médico, apenas quando a criança atingir a fase III, estará realmente preparada para iniciar o treinamento de ir ao banheiro. Antes disso, seria temerário e com alta possibilidade de frustração.

Por outro lado, muitos estudiosos defendem que, já a partir da fase II, quando a criança passa a avisar que está fazendo, o processo de treinamento poderá ser iniciado. Para isso, os pais devem estar atentos aos sinais transmitidos pelas crianças. Em geral, elas escolhem um cantinho reservado, sentam, agacham ou se encolhem sempre que sentem que estão evacuando ou urinando. Algumas chegam a se incomodar com as fraldas sujas e pedem para que sejam trocadas. A criança dará sinais nítidos de que está aprendendo a ter o controle do esfíncter e, portanto, preparada para iniciar o treinamento de desfralde.

Mas ele deverá ser iniciado em um momento de tranquilidade e equilíbrio na rotina da criança. Assim, deve-se evitar iniciá-lo em período onde família estará em viagem, quando a criança estiver se adaptando a uma nova escola, vivenciando a separação de uma pessoa importante, ou diante de qualquer outra situação que lhe seja nova e exija ainda mais maturidade.

Como começar

É conveniente que o processo comece com os pais mostrando à criança que utilizam o banheiro em vez de fraldas. Usar o vaso sanitário na frente da criança desperta seu interesse e curiosidade.

Alguns livros e desenhos com crianças que deixam as fraldas também é uma ótima maneira de instigar o interesse dos pequenos. Certamente, eles terão o desejo de experimentar o penico ou o vaso sanitários na tentativa de imitar os personagens que admiram.

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A preparação do banheiro também é fundamental. Os pais podem optar pelo penico ou pelo redutor de assento. Em muitos casos, o primeiro promove maior sensação de segurança para a criança. Em outros, pode causar estranhamento, já que o penico não é um utensílio que ele costuma ver em casa.

Se a família escolher o penico, deve educar a criança para utilizá-lo sempre no mesmo local da casa, de preferência no banheiro. O penico não pode ser encarado como um brinquedo. De toda forma, os pais podem fazer com que o utensílio se mostre mais atrativo. Atualmente, o mercado disponibiliza uma variedade enorme de modelos e de cores variadas, alguns com caras de bichinhos, outros decorados com desenhos super transados. Tudo o que as crianças adoram!

Também é possível fazer uma decoração mais personalizada e que envolva a participação da criança, com a colagem de adesivos de seus personagens prediletos. Duvido que depois de todos esses incentivos, elas rejeitem o lindo penico.

Se a escolha for o redutor de assento, os pais devem ter o cuidado de providenciar também um apoio para os pés. O apoio plantar é fundamental para favorecer a pressão abdominal e garantir maior segurança para a criança na posição que estimula a evacuação.

A porta do banheiro deve ser mantida aberta para facilitar o livre acesso da criança a qualquer momento que sentir necessidade.

O treinamento em si deve começar apenas durante o dia. Inicialmente, a criança poderá ser deixada sem fraldas por algumas horas (1 ou 2h). Esse tempo pode ser aumentado gradualmente, à medida que a criança fica mais eficiente no controle.

Algumas famílias optam pela retirada da fralda em tempo integral. O que não revela qualquer problema. Acontece que esse metodologia de treinamento, em que pese seja um fator de aceleração do processo, pode ocasionar ainda mais estresse, já que a família terá que adotar uma conduta mais vigilante e cuidadosa, além de ter que lidar com um número maior de escapes. Para a maioria das famílias, a metodologia de evolução gradual atende melhor à rotina da criança.

Antes de retirar a fralda, os pais deverão conversar com a criança, explicando-a porque estão fazendo aquilo. De forma lúdica, poderão lhe contar que ela já é uma criança grande e que portanto deverá usar calcinhas ou cuecas, como a mamãe e o papai. Uma excelente maneira de estimular o processo é levando a criança para comprar novas cuecas ou calcinhas nas cores e modelos que ela desejar. Certamente, eles irão adorar usar as peças que escolheram.

Durante a conversa com os pequenos, os pais irão orientá-los sobre a necessidade de avisar sempre que sentirem vontade de fazer xixi ou cocô. Essa orientação pode ser refeita de tempos em tempos para evitar que a criança esqueça que está sem a fralda. Mas a família não deverá pressionar.

Os pais também devem estar preparados para os famosos escapes e jamais deverão dar broncas nas crianças caso eles ocorram. Por outro lado, devem comemorar e parabenizar a criança sempre que a sistemática funcionar.

Se a criança já estiver na escola, os professores devem ser avisados para que dêem continuidade ao processo.

Desfralde noturno

O desfralde noturno só deve ser iniciado quando o diurno estiver 100%. Ele exige um pouco mais de paciência da família e auto controle da criança.

Comece diminuindo a ingestão de líquido antes do horário em que a criança dorme e estabeleça uma rotina para leva-la ao banheiro, ao menos duas vezes por noite. Essa é uma medida um pouco cansativa, mas necessária, pelo menos nos primeiros dias. Em seguida, os pais já se habituam com horário em que a criança costuma urinar e o processo se torna mais fácil.

As fraldas só  devem ser removidas quando se perceber que a criança passou algumas noites seguidas sem molhá-las. Uma média de quatro a cinco dias consecutivos é  um bom parâmetro.

Também nessa nova etapa do desfralde é importante ter uma conversa esclarecedora com a criança, para que ela compreenda o que está acontecendo e aceite melhor as interrupções do seu sono noturno. Aqui vale aquela mesma explicação de que ela está se tornando uma criança grande e logo, logo não precisará mais de fraldas. Elas tendem a encarar melhor o processo sob essa perspectiva.

Quanto tempo leva

Como ressaltamos inicialmente, o desfralde é um processo individual que não permite padrões. Cada criança terá seu tempo para iniciá-lo. Da mesma forma, os pequenos também apresentam variações de tempo para concluir o aprendizado. Para alguns, o processo pode durar dias, para outros meses, ou até anos. O que importa é que os pais tenham consciência sobre essa questão e respeitem o tempo do seu filho.

É muito comum que a criança que esteja preparada para o desfralde consiga um bom resultado já no primeiro mês. Algumas delas levam apenas semanas para estarem completamente livres das fraldas.

Já o desfralde noturno, será um pouco, ou muito mais demorado. Às vezes, a criança até demonstra que está preparada para a retirada definitiva das fraldas, mas, quando isso acontece, vira e mexe, ela acorda molhada. O que revela resquícios de uma imaturidade do controle, algo normal e aceitável, que exige muita paciência da família.

Por outro lado, os pais devem conversar com o pediatra se a criança, após os 5 anos de idade, ainda não conseguiu se livrar completamente das fraldas. Após esse marco temporal, a questão deve ser analisada por especialista, já que pode revelar uma enurese noturna – distúrbio que se caracteriza pela perda involuntária de urina durante o sono. Não se trata de uma doença em si, mas deve ser tratada, principalmente em razão das negativas consequências emocionais que o problema acarreta.

Como diz uma amiga, o desfralde é talvez a fase mais libertadora do desenvolvimento de um filho, não só porque o livra das fraldas, como também porque permite aos pais mais autonomia e economia financeira. Muito além desses ganhos, consigo enxergar ainda mais valor nesse processo ao olhar sob a perspectiva do amadurecimento da criança. Esse é o momento em que eles deixam de depender um pouco mais de nós e aprendem a lidar com suas necessidades mais primitivas. O que é um passo fundamental para os que virão depois.

E ai na sua casa, como anda o processo de desfralde?

Divida um pouco da sua experiência conosco. Teremos um grande prazer em poder lhe ajudar a eliminar dúvidas e, principalmente, em comemorar com você o progresso que estejam vivenciando.

Até mais!

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