Como evitar os temidos acidentes domésticos?

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Essa semana resolvi pegar o gancho numa oficina que realizei como parte do evento AMARmentar, que aconteceu no há poucos meses aqui em Natal/RN. O acontecimento foi uma realização do Grupo Mais Mães e teve como enfoque a comemoração da Semana Mundial de Aleitamento Materno. Apesar da temática ter sido a amamentação, decidimos tratar de um assunto tão importante quanto, numa oficina sobre prevenção de acidentes domésticos, que trouxe informações e dicas relevantes sobre como prevenir os temidos acasos e desastres com crianças e bebês. Como esse é um assunto recorrente e nem todas as famílias tiveram a oportunidade de participar do AMARmentar 2016, trago aqui um resumo do que discutimos por lá.

A questão dos acidentes domésticos apresentam importância primordial no contexto das preocupações que envolvem as políticas para a manutenção/preservação da saúde e qualidade de vida das crianças, especialmente na primeira infância (0 a 6 anos), bem como na questão que envolve a diminuição da mortalidade infantil.

Infelizmente, o que a realidade mundial tem mostrado é que os índices de mortalidade infantil, em decorrência de acidentes com crianças, é considerada elevada e preocupante, tendo em vista que a maioria deles poderiam ser evitados com simples medidas preventivas.

O Brasil não escapa dessa lamentável estatística como demonstra o DATASUS / Ministério da Saúde, com uma pesquisa realizada pela CRIANÇA SEGURA, Relatório Mundial de Prevenção de Acidentes da Organização Mundial de Saúde em 2012, que resultou em uma tabela a qual demonstra, em número absoluto, a mortalidade por acidentes na faixa etária de zero a nove anos, em 2012.

Tabela Acidente infantil 2012

Segundo dados do Ministério da Saúde do Brasil, na faixa etária de zero a nove anos, os acidentes foram responsáveis, em 2012, por 3.142 mortes e mais de 75 mil hospitalizações de meninos e meninas (a informação inclui os acidentes de trânsito, mas estes não são considerados acidentes domésticos, em regra).

De acordo com o mapeamento realizado pela Rede Nacional da Primeira Infância, “o trauma é a principal causa de morte em crianças e adultos jovens, e um dos maiores problemas de saúde pública mundial. Quando há sobrevida, as sequelas temporárias ou permanentes têm um índice elevado.”

Segundo o Relatório Mundial sobre Prevenção de Acidentes com Crianças e Adolescentes, lançado em dezembro de 2008, pela Organização Mundial de Saúde e UNICEF, 830 mil crianças morrem vítimas de acidentes, anualmente, em todo o mundo.

Como veem, o panorama é grave e exige mudanças imediatas. Podemos e devemos implanta-las já em nossa casa para garantir a proteção dos pequenos. Então, comecem tomando nota das dicas simples e valiosas sobre os três principais cômodos de uma casa.

Cozinha

Sem dúvida, este é o ambiente mais inseguro para as crianças. Na verdade é considerado um local em que o acesso dos pequenos deve ser limitado, evitado ou até mesmo proibido.

1 ) Impedir ou evitar que a criança tenha acesso a esse ambiente da casa, principalmente se estiver desacompanhada. O ideal é isolar o cômodo com grade ou portão. Esses utensílios são fáceis de serem encontrados no mercado, apresentam baixo custo e podem ser removidos (também podem ser usados para impedir o acesso da criança a uma escada)

2) O ideal é que o forno seja instalado a uma altura de difícil acesso às crianças, mas, como muitas famílias ainda usam o modelo tradicional de fogão de chão com forno acoplado, o cuidado de vigilância deve ser redobrado. Nesse caso, é melhor impedir o acesso das criança à cozinha, pelos menos enquanto o forno estiver quente.

3) Quanto ao fogão, prefira utilizar as bocas da parte de trás do eletrodoméstico, evitando o uso das que são mais acessíveis às mãos das crianças e lembre-se de virar os cabos das panelas para o lado de dentro.

4) Objetos cortantes, perfurantes e frágeis como facas, garfos, saca-rolhas, louça e vidro devem ser guardados a uma altura que não permita o alcance das crianças, ou, pode-se adotar o uso de travas de portas e gavetas, também facilmente encontrado no mercado;

5) Produtos de limpeza, assim como alimentos e bebidas impróprios para as crianças, devem estar acondicionados em local inacessível da despensa, em relação à altura da criança (dar preferência às prateleiras superiores). O ideal é que a despensa tenha porta e seja mantida fechada.

6) A geladeira também oferece riscos para a criança e, portanto, deverá ser mantida fechada com o uso de travas

7) Evitar manusear alimentos quentes enquanto estiver com o bebê nos braços ou mesmo quando houver crianças na cozinha. O excesso de autoconfiança também causa graves acidentes.

Banheiro

O banheiro é outro território de perigo constante. Crianças não devem estar desacompanhada nesse cômodo da casa. Os principais problemas são afogamentos, quedas e intoxicação por produtos de limpeza e higiene.

1) Mantenha a porta do banheiro fechada e só permita o acesso quando a criança estiver acompanhada de um adulto;

2) Utilize travas nos vasos sanitários. Não só por uma questão de higiene, mas, principalmente, por senso de segurança. Infelizmente, a incidência de casos de afogamentos de crianças nesse utensílio doméstico é bastante elevada;

3) Jamais deixe seu bebê sozinho em uma banheira, mesmo que ele já seja capaz de sentar, mesmo que o nível da água esteja baixo e ainda que seja por pouco tempo;

4) Use tapetes antiderrapantes enfeitados e coloridos no local do banho. Além de evitarem quedas, estimulam o interesse das crianças pelo banho. Eles também podem ser utilizados na banheira;

5) Da mesma forma que recomendamos em relação à cozinha, tire do alcance das crianças produtos de limpeza e higiene pessoal ou trave as portas e gavetas dos armários;

6) Não permita que a chave de controle de temperatura do chuveiro esteja ao alcance das crianças.

Quarto do bebê

O quarto é o ambiente em que a criança tende a passar maior parte do seu tempo, principalmente, quando ainda é bem pequena. Por isso, apesar de não ser considerado um dos cômodos que mais oferece risco às crianças, ainda assim merece nossa atenção. As principais dicas quanto à manutenção de um quarto seguro são:

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1) Escolha um modelo de berço que respeite as normas de segurança, conforme a Portaria 268/2011 do INMETRO;

2) Se adotar o uso de protetores na grade do berço, escolha o mais seguro e recomendado, atualmente, pela maioria dos pediatras. O modelo telado exerce a função de impedir que a criança prenda seus membros nos espaços da grade, além de permitir a livre circulação de ar, e não oferece riscos. Os protetores comuns, quando instalados no interior do berço, podem ocasionar asfixia ou servir de apoio para a criança escalar a grade.

3) Também não permita que a criança durma no berço com bichinhos, almofadas, rolinhos ou qualquer outro utensílio decorativo;

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4) O ideal é que as crianças muito pequenas não façam uso de lençol. Para que se mantenham aquecidas durante toda a noite, aconselha-se o uso de saquinhos de dormir. Se a família, mesmo assim, fizer questão do uso de lençol, deverá cobrir a criança de forma que seus braços permaneçam livres e prendendo as laterais do lençol em baixo do colchão;

5) Não utilize móbile no berço do bebê. Se a família não quiser abrir mão do utensílio, deverá ter o cuidado de instalar o equipamento em nível inacessível ao alcance da criança e estar atenta à necessidade de adequação desse nível, à medida que a criança for crescendo;

6) Instale telas de proteção nas janelas e varandas (essa regra vale para todos os cômodos);

7) Não instale móveis próximos a janelas, principalmente berços;

8) Se um tapete fizer parte da decoração do quarto, prefira os que têm mecanismo antiderrapante e são antialérgicos, com menos camadas de tecidos e com menor propensão para acúmulo de pó;

 9) Todas as tomadas deverão estar fechadas com utensílios próprios;

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10) Prefira não utilizar cortinas com cordões. De acordo com a ONG “The Royal Society for the Prevention of Accidents (RoSPA)”, especialista em prevenção de acidentes, são necessários apenas 18 segundos para que um bebê perca a vida com uma cordinha de cortina. Se mesmo sabendo do risco, a família deseja manter esse tipo de utensílio no quarto do bebê, deve mantê-lo a uma altura que seja inacessível para as crianças.

Como podem perceber, em apenas três cômodos, é possível identificar um número assustador de pontos e situações de risco que podem ocasionar acidentes graves e até levar à morte de uma criança. Por isso não podemos descuidar nas medidas de prevenção.

É certo que muitos outros fatores estão relacionados aos acidentes com crianças. Entre eles, merecem destaque:

  • Idade da criança: quanto menor a idade, maior deve ser a vigilância. A educação preventiva deve aumentar a medida que a criança cresce;
  • Escolaridade: as pessoas mais instruídas têm maior possibilidade de prevenir os acidentes, assim como cuidar da primeira assistência;
  • Ambiente físico: casas em mau estado de conservação, pequenas, mal situadas e com cômodos apertados podem facilitar os acidentes.

De toda forma, o mais significativo dentre os fatores é, e sempre será, a vigilância. De nada valerá a implantação de todas as medidas indicadas acima, se os pais não tiverem o necessário cuidado com seus filhos. Portanto, papais e mamães, não tirem os olhos  dos seus pequenos.

Até breve!

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