Carta para uma amiga grávida

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Amiga, ao longo desses últimos meses, você já deve ter se dado conta do quanto a aventura da maternidade exige de nós mulheres. Enjoos, noites mal dormidas, dores na costas, ansiedade, insegurança, medo e todas as limitações que uma gravidez nos impõe. Posso apostar que em algum momento tudo isso te fez refletir sobre o quanto é difícil ser mãe, o quanto nos sacrificamos por um filho.

Preciso ser honesta e dizer que isso é só o começo. A gravidez é só o primeiro desafio. Na verdade, quando seu bebê chegar, você vai se sentir completamente perdida e incapaz. Apenas aos poucos, vai descobrir uma força interior e uma capacidade de superação que nunca imaginou possuir. A maternidade tem essa propensão absurda de nos desestruturar e, ao mesmo tempo, de nos refazer.

E não há como evitar esse choque inicial, pois ela é muito além do que podem nos contar ou do que aprendemos nos livros. Mesmo que eu e suas muitas outras amigas experientes passemos horas te falando sobre nossas dificuldades, ainda sim você não estaria preparada. Nós nunca estamos.

Então, pensei muito no que eu poderia te dizer nessa reta final e me veio na mente algumas coisinhas:

  • Se o seu seio ferir e antes que a amamentação se transforme num tormento, posso te emprestar aquela pomada que tanto me ajudou e te ensinar tudo o que aprendi com a minha própria dor;
  • Quando a angústia tomar conta do teu peito e você só quiser chorar, aparentemente sem motivos, posso te oferecer meu abraço amigo, livre de críticas e julgamentos;
  • Se os cuidados com a casa e as novas obrigações parecerem te engolir, não teime em enfrentar tudo sozinha, aceite a ajuda da sogra, da mãe ou dessa amiga aqui;
  • Desde o início, confie em seu companheiro e permita que ele assuma a parte que lhe cabe nos cuidados com o bebê. Entenda que vocês dois são igualmente responsáveis e que ele é plenamente capaz;
  • Quando a situação parecer fora do controle, aceite que o bebê ideal só existe nos livros – o que quero dizer é que eles tendem a fugir da regra e o seu não é exceção;
  • Quando seu corpo estiver tão cansado e você chegar a duvidar das próprias forças, me chama por uma horinha. Terei um imenso prazer em te substituir, enquanto você recupera sua energia com um cochilo;
  • Quando você cogitar que sua vida de liberdade acabou, pensa que, na verdade, ela ganhou um novo rumo e propósitos ainda mais nobres;
  • Quando você estiver exausta daquela dor nas costas que te incomoda dia e noite, lembre-se de que muito em breve seu bebê não mais precisará do seus braços e isso vai te deixar uma saudade imensa;
  • Quando seus dias forem tão repetitivos que a chegada do final de semana não mais representar uma alegria, pensa que é o momento de receber o carinho e os presentinhos das visitas;
  • Quando você não sentir estímulo para fazer as unhas e manter a depilação em dia, sob a desculpa de que não tem saído de casa, lembre-se de que você ainda é uma mulher e tem um marido que deseja te ver linda;
  • Se as mudanças do teu corpo, a nova rotina e alguns incômodos ainda não permitirem que sua vida sexual volte ao que era antes, é hora de dividir o que sente com o companheiro, numa conversa franca;
  • Quando as transformações do teu corpo te fizerem crer que és menos mulher, lembre-se de que elas existem por causa do poder único que só nós possuímos, o dom de ser mãe;
  • Quando você achar que nunca mais terá tempo para si mesma – ler um bom livro, ir ao shopping despreocupada ou tomar uma café com as amigas – lembre-se de que o bebê irá crescer e não dependerá mais tanto de você;
  • Quando ouvires a frase: “curta muito porque essa fase passa rápido”, adote-a como um mantra pois, além de ser uma grande verdade, pensar assim faz com que as coisas pareçam mais fáceis;
  • E sempre que te sentir culpada pelos sentimentos negativos que tens em relação à maternidade, saiba que você não é a única e que isso não te faz uma péssima mãe. A sua amiga aqui também os enfrentou e hoje não consegue encontrar maior realização do que a maternidade.

Tudo isso é pra te dizer que, apesar do enorme desafio, você não está sozinha; que não foi à toa que uma força maior nos uniu em amizade e permitiu que a maternidade chegasse primeiro em minha vida.

Conte comigo!

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