Criança longe dos pais – dicas para um passeio seguro

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Algumas semana atrás, ao buscar minha filha na escola, fui informada que haveria um passeio em comemoração ao encerramento do ano letivo. As crianças seriam levadas a um dos shoppings da cidade para uma tarde de diversão. Logo pensei: que ótimo, a Marina vai adorar esse passeio, especialmente porque estará na companhia dos coleguinhas. Vai ser uma tarde inesquecível! Com esse pensamento, confirmei sua presença no ato.

Pouco tempo depois, dirigindo em direção a nossa casa, naqueles momentos em que você se desliga de tudo e ouve só seus pensamentos, fiz a seguinte reflexão: será que me precipitei? Afinal, ela tem só 2 anos e 4 meses, ainda é um bebê e eu nem conversei com o pai pra saber o que ele acha. E se acontecesse algo de ruim com a minha filha? Em que pese, tenha enorme confiança nos profissionais que atuam na sua escola, a gente sabe que crianças podem se perder, serem levadas, se machucar. Vocês nem imaginam as tragédias que passaram pela minha cabeça!

De repente, desacelerei minha euforia e pensei que deveria ser mais cautelosa. O melhor seria conversar com meu marido sobre os pros e contras, avaliar todos os riscos, para só então decidir.

Também imaginei que meu marido diria: “um passeio sozinha? ela ainda é muito pequena. Não dá certo!”. E é claro que ficaríamos com a sua opinião porque, apesar de dificilmente eu aceitar as coisas sem contestar, nesse quesito eu não iria me opor mesmo. Jamais assumiria tal responsabilidade sozinha. Acontece que, para minha surpresa, assim que lhe tratei do assunto, ele disse: – Por que não? Ela vai!

Como ele pôde aceitar assim com tanta certeza, não sei. De onde os pais tiram a segurança que nós não temos? Isso merece um estudo! rsrsrs… Mas não contestei.

Confesso que a partir desse momento comecei a ficar tensa. Especialmente depois de verificar o grupo de mães do Whats App e perceber que até então nenhuma delas havia confirmado. Pelo contrário, a maioria se mostrou super insegura, levantando uma série de questionamentos que eu nem tinha pensado. Nem preciso dizer que isso me tirou o sono.

Pois bem, diante do cenário, decidi esperar pelos esclarecimentos da escola e, é claro, pesquisar um pouco sobre como agir e me preparar para o desafio de conceder o primeiro momento de liberdade a minha filha.

Aprendi, antes de tudo, que não há um posicionamento certo ou errado. Cada família deve avaliar individualmente os riscos e vantagens de permitir que seu filho vá a uma passeio sem a presença dos pais. Isso deve levar em conta a maturidade da criança, a adequação do passeio, além da confiança e segurança que a família deposita nas pessoas que irão cuidar do seu filho. Assim, não se deve criticar ou julgar os pais mais limitadores que ainda não se sentem a vontade para conceder tal liberdade. Por outro lado, as famílias mais liberais não podem ser vistas como descuidadas ou imprudentes. Essa é uma questão familiar que deve ser resolvida entre os pais. Ninguém deve opinar mesmo. Exceto se a opinião for solicitada!

QUAIS INFORMAÇÕES OS PAIS DEVEM OBTER COM A ESCOLA

Local do passeio – se o programa é excluso para crianças, ou adultos também participam; se o local conta com recreadores ou monitores; se o ambiente é aberto ou fechado; se o programa é adequado à idade da criança; se a criança já fez aquele passeio (talvez, não valha a pena repetir);

Horários – é fundamental saber o horário de chegada e saída com exatidão;

Transporte – o tipo de veículo (ônibus ou van?); se as crianças usarão o sinto de segurança do veículo ou cadeirinha/assento apropriado às suas idades;  quanto tempo dura o trajeto?;

Acompanhantes – quantos crianças irão ao passeio e quantos adultos irão acompanhar;

Alimentação – o tipo de lanche que será servido (em regra, não são muito saudáveis, mas, como se trata de uma situação excepcional, não vale a pena privá-los das guloseimas); enviar lancheira se a criança tiver alguma restrição alimentar e combinar isso com a escola;

Informações durante o passeio – a escola poderá indicar uma pessoa para prestar informações a respeito do andamento do passeio (se o ônibus saiu no horário, se as crianças comeram, se já estão voltando e se chegaram bem). Isso deixa os pais mais tranquilos.

Se depois de obter essas informações, a avaliação for positiva e a família decidir liberar o seu pequeno(a) para o passeio, os pais devem entrar em cena orientando a criança sobre como ele deverá se comportar. Essa medida faz uma diferença danada, mesmo com as crianças pequenas.

COMO ORIENTAR AS CRIANÇAS PARA AGIREM EM PASSEIOS SEM OS PAIS

Infelizmente, temos uma realidade muito triste em todo o mundo a respeito do elevado número de crianças desaparecidas. Segundo dados da Associação Brasileira de Busca e Defesa a Crianças Desaparecidas, são mais de 50 mil crianças e adolescentes desaparecidos no Brasil. Muitos deles sequestrados.

É importante lembrar que a pureza das crianças as leva a crer que adultos são sinônimo de segurança. Por isso, os pais precisam explicar, de forma equilibrada, que nem todo mundo é legal, que algumas pessoas são “bobas” (para não dizer mal), podem bater, deixar a criança sem comida, leva-la para longe dos pais e por aí vai. É preciso ser claro, sem criar fantasias (nada de bicho-papão e homem-do-saco). Essas expressões só tendem a criar traumas e não surtem o efeito pretendido.

A conversa deve ter um nível de linguagem adequada à idade da criança, explicar possíveis situações de risco e como elas deverão proceder diante de uma emergência.

Aline Angeli, autora de O Livro das Emergências – O Que Toda Criança Esperta Precisa Saber Sobre Segurança,  nos conta que é preciso treinar com os pequenos o desfecho para situações de emergência. Aqui valem algumas dicas básicas:

  • Assim que a criança tiver capacidade de entendimento, ensine o número do telefone de casa ou de algum dos pais (no geral elas conseguem memorizar a partir dos 3 anos de idade);
  • Se a criança ainda não estiver preparada para a medida anterior, deverá sair de casa com um cartão de identificação com o nome e contato dos pais, guardado em seu bolso e ser orientada para mostrá-lo a um adulto caso se perca. Mas alerte que não pode ser qualquer pessoa, o ideal é alguém de uniforme (guarda, policial, segurança ou alguém que trabalhe dentro de uma loja ou restaurante);
  • Também é importante pedir que a criança não se afaste da área onde se perdeu, pois você estará procurando por ali;
  • Oriente seu filho a não aceitar nada de estranhos, muito menos acompanhar essa pessoa a algum lugar. E, mesmo em situações nas quais um conhecido o convide para sair (a mãe de um amiguinho, uma tia, etc), é necessário que ele avise a mamãe ou ao papai;
  • Com crianças maiores, é possível que os responsáveis combinem um local de encontro, caso a criança se perca. Elas precisam saber que deverão se dirigir a esse local e lá permanecer para que alguém vá ao seu encontro;
  • Ensine a criança a gritar bem alto se um estranho tentar levá-lo à força. A frase ideal é: “Esse não é o meu pai, socorro!”;
  • Explique a seu filho que não pode haver segredo entre vocês e que se alguém disser: “não conte isso aos seus pais”, ele deve fazer exatamente o contrário;
  • Em relação aos passeios de rua, é importante orientar que crianças deverão permanecer na calçada e jamais atravessar a via sem segurar a mão de um adulto;
  • Em passeio de praia, é fundamental explicar que a criança não poderá entrar na água sozinha ou sem a companhia de um adulto;
  • Explique que a criança deve estar sempre próxima do adulto responsável para não estragar o passeio;

PS: Já existem no mercado, pulseiras identificadoras seguras e personalizadas para substituir o bilhete do bolso. Elas são coloridas, de forma a chamar a atenção das pessoas que vierem a encontrar a criança perdida, antes mesmo que ela fale. A maioria só pode ser removida por um adulto.

pulseira-de-identificacao-para-criancas

Aqui estão os links de alguns fornecedores desse tipo de pulseira, com vendas pela internet ⇓

Names 2 Glue;

Grudado em Você;

Pulseira Virtual

Cartolina Design

Para finalizar, explique tudo isso muitas vezes, e sempre que for necessário. Não será da primeira vez que a criança entenderá e agirá como você quer. E, caso o indesejado aconteça, se a criança se perder e não seguir as orientações que lhe foram passadas, tente ficar calmo, agir de forma equilibrada e quando reencontrá-la, não grite não dê broncas exageradas, mas diga que aquilo foi ruim e que não pode acontecer novamente. Converse e demonstre o quanto ficou preocupado.

A criança precisa sentir que seus pais são seus cúmplices, que existe uma relação de confiança.

Então, agora que você já preparou seu pequeno para curtir um passeio com segurança, relaxe e aproveite o momento de folga para dar uma saidinha. Um tempinho sem filhos, de vez em quando, nos faz um bem danado!

Beijos e até o próximo post!

 

 

 

 

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