Como venci a diástase!

Publicado por

diastase2-e1506084396501

A palavra da vez é DIÁSTASE. Aquela que ganhou a atenção da mídia logo após a Sandy ter parido. Alguém ai já ouviu falar nela? Já leu, conversou com uma amiga ou recebeu orientação adequada sobre como evitá-la? Acredito que algumas de vocês devem sim saber do que estou falando, mas tenho certeza de que a maioria de nós mulheres não sabe o que significa uma diástase. Eu mesma não sabia, até senti-la na própria pele.

E foi justamente toda essa falta de informação que me impulsionou a escrever esse post. Eu me sinto na obrigação de dividir com vocês minha experiência, o que aprendi enfrentando a diástase e qual caminho seguir para evitá-la, ou mesmo, o que você pode fazer se já estiver enfrentando o problema.

Mas, antes de te contar a minha batalha para vencê-la, vou explicar, sob a minha perspectiva nada científica, o que é ter uma diástase.

É sentir que os músculos da sua barriga sofreram uma pressão tão grande para caber o bebê, que não suportaram; é sentir um espaço vazio no meio do seu abdome que pode até caber uma mão (felizmente o meu cabia dois dedos); é sentir como se todos os órgãos da sua barriga estivessem soutos; é se olhar no espelho e perceber uma protuberância arredondada que insiste em se manter, mesmo depois de você ter perdido todo o peso que ganhou na gravidez; é perceber que seu umbigo parece querer saltar para fora da barriga; é admitir que não importa quanto você se empenhe nos abdominais, aquela barriguinha estará sempre ali; é não reconhecer seu próprio corpo e sofrer muito com isso.

Nas palavras da educadora física Gizele Monteiro, a diástase é o afastamento dos músculos reto abdominais, que ocorre durante a gravidez quando bebê e útero aumentam, projetando a barriga para frente. Nesse momento os músculos do abdômen são alongados e o centro deles é afastado. Isso é natural, porém, em algumas mulheres esse afastamento pode ser maior ou pode haver uma ruptura desse tecido central que sustenta os reto abdominais.

O vídeo da Gizele explica em detalhes o que seria a diástase e ensina como fazer a auto avaliação.

Agora que vocês já sabe o que é a diástase, vou contar uma pouco sobre a minha experiência com o problema.

Antes de tudo, preciso dizer que sempre fui magra e pequena, bem do tipo mignon, e, por isso, não tive dificuldade alguma para perder o peso adquirido durante a gravidez, tão pouco cheguei a engordar muito. Na verdade, só aumentei 9,5 kg. E por que estou dizendo isso? porque é preciso desmitificar que exista um padrão de corpo mais susceptível à diástase. Isso não é verdade.

FullSizeRender
Foto tirada um mês antes de engravidar.

A probabilidade de desenvolver o problema está muito mais ligada às condições da gestação e ao condicionamento físico do seu abdômen. O que se deve ter em mente é que quanto maior o tamanho da barriga na gestação, maior a pressão dos órgão internos sobre os músculos do abdômen e, por consequência, maior a probabilidade de desenvolver a diástase.

Vamos entender bem quais são esses condicionantes:

  1. Gravidez gemelar;
  2. Ganho de peso em excesso;
  3. Músculos abdominais enfraquecidos;
  4. Postura inadequada

Exceto no que diz respeito ao primeiro condicionante, todos os outros podem ser controlados com uma boa orientação e a consciência de que é preciso se manter ativa e em forma, antes e durante a gravidez. Por isso, a informação prévia é tão importante. E aqui já lanço a primeira dica de ouro para quem está se preparando para engravidar: o condicionamento físico antes da gravidez é fundamental para que o corpo se recupere e volte à sua condição anterior mais rápido.

No meu caso, não contei com os dois primeiros condicionantes, mas abusei do 3º e do 4º. Engravidei quando estava sedentária e assim me mantive até o fim da gravidez, além de ter sustentado uma postura inadequada desde minha época de bailarina ainda na infância e adolescência. Isso nunca me incomodou, mas, depois da gravidez, se revelou um grande problema. Além desses fatores, tive um bebê grande (Marina nasceu com 3,835 Kg), e isso fez minha barriga crescer demais para o padrão do meu corpo.

Acontece que eu não tomei consciência de tudo isso logo após o parto. Devo dizer que passei quase um ano para entender o que estava errado e obter a orientação adequada. No início, eu não compreendia porque, apesar de estar tão magra, aquela protuberância abdominal continuava inalterada e meu umbigo não voltava pra dentro. Além do mais, todo mundo me dizia que eu estava ótima, muito melhor do que a maioria das mulheres após uma gravidez. Mas eu sabia que minha barriga não estava como antes.

Infelizmente, não tenho muitas imagens da minha barriga na situação mais crítica. O que hoje lamento, porque gostaria muito de compartilha-las nesse post. Confesso que não tinha coragem suficiente de me fotografar, exceto em algumas situações de viagem em família, quando meu marido aproveitava meus momentos de distração com Marina. As imagens abaixo foram tiradas numa dessas ocasiões, quando já havia se passado dez meses após o parto. Vejam que existia uma forma arredondada bem no centro do abdômen, apesar de eu estar muito magra. O umbigo, que antes era bem fechado, se mostrava aberto, como um botão que parecia querer saltar da minha barriga.

 

 

Essa outras foram tiradas quando iniciei o programa da Gizele Monteiro, quase dois anos e meio após o nascimento de Marina.

 

 

Sei que você deve estar pensando, “ah mas não era uma barriga tão feia assim e pode até achar que eu fui exigente demais comigo mesma”. Eu sei que, de fato, existem situações de diástases mais severas, mas vejam bem: essas fotos foram feitas quando já havia se passado mais dois anos desde o parto, quando eu já estava super magra e me dedicava aos treinos com bastante afinco. Além do mais, cada uma de nós sabe como era o corpo antes da gravidez e o que mudou após achegada do bebê.

Sem falar que a diástase não representa apenas um problema estético que afeta a auto-estima da mulher, mas também um problema funcional, porque acarreta uma série de consequências negativas para a sua saúde, como alteração postural, dores nas costas, sobrecarga da coluna, quadril e discos vertebrais, o que pode ocasionar hérnia de disco, bico de papagaio ou inflamação do nervo ciático. Tudo isso porque o enfraquecimento dos músculos do abdômen comprometem a função de sustentar e estabilizar o tronco. Portanto, havia motivos de sobra para eu não querer continuar convivendo com o mal da diástase.

Vejam agora imagens de casos mais severos.

 

 

 

 

Conversei com minha ginecologista, mais ou menos sessenta dias após o parto e o que ouvi dela foi: “isso é diástase, mas se resolve com abdominais. Faça muitos abdominais, de todos os tipos, para recondicionar os músculo do abdômen.” Ela ainda me falou que tinha vivenciado o mesmo problema com sua gravidez gemelar e até me mostrou seu atual e lindo umbigo. É claro que sai da consulta mega feliz, tendo a certeza de que venceria aquele problema sozinha, sem cogitar ter que passar por uma cirurgia.

Passada a euforia inicial e já tendo retornado ao trabalho, quando a rotina diária se mostrou ainda mais difícil, percebi que manter o hábito de praticar exercícios físicos sozinha seria bem difícil. Mesmo assim, insisti por meses, entre aulas de pilates, duas vezes por semana, e algumas idas à academia, sem chegar a lugar algum.

Somente quando Marina completou seu primeiro ano, decidi que não poderia mais viver com aquela insatisfação e me convenci de que não conseguiria sem ajuda. Foi então que decidi contratar uma personal trainer para me acompanhar.  Ela era uma profissional muito competente, inclusive com especialização em fisiologia da mulher, e cheguei realmente a obter muitos benefícios com o seu acompanhamento, mas nada de alcançar a tão desejada barriga de volta. Aquilo parecia um sonho inalcançável.

Até que eu mesma decidi estudar sobre o assunto. Vasculhei a internet procurando trabalhos científicos sobre a diástase, tentando descobrir algum tratamento como alternativa à cirurgia e confesso que, naquela ocasião, não encontrei quase nada de informação confiável. A maioria dos textos médicos indicavam que a cirurgia era a única opção que poderia garantir o retorno do músculos ao seu lugar de origem. E aquilo me frustrou de uma forma absurda!

Mas, um único texto me chamou a atenção para uma técnica desenvolvida nos Estados Unidos, chamada de Tupler. Quando li tudo o que o artigo dizia sobre esse método, me senti invadida por um sentimento de alívio, por saber que existia uma luz no fim do túnel, e, ao mesmo tempo, por uma raiva ao perceber que, durante todo esse tempo, eu estava lutando contra o retorno do meu abdômen. Isso porque, grande parte dos exercícios que eu fazia estavam, na verdade, favorecendo a evolução da diástase em vez da sua redução. Isso mesmo. Os abdominais tradicionais são absolutamente contraindicados para a quem tem diástase, porque o movimento de elevação do tronco pressiona os reto abdominais, forçando-os a se deslocarem no sentido do afastamento do centro, ou seja, aumentando o espaço da diástase.

Imediatamente, procurei obter mais informação sobre essa técnica no site americano. Logo descobri que existiam alguns fisioterapeutas autorizados a realizar o programa aqui no Brasil, mas, infelizmente, nenhum deles estava na minha cidade.

Cheguei a entrar em contato com a Dra. Beatriz Araújo, para saber como funcionava o programa e descobri que o acompanhamento poderia ser feito à distância, que os exercícios seriam transmitidos por videoaulas e que seria necessário fazer uso de uma cinta ao longo de todo o dia. Confesso que desconfiei um pouco do sucesso que eu teria com aquele tratamento, especialmente por já ter lido diversos artigos científicos que indicam que as cintas não são capazes de reposicionar nenhum músculo ao seu devido lugar. Pelo contrário, o uso excessivo desse utensílio pode levar ao enfraquecimento dos músculos do abdômen e costas, já que não precisamos ativa-los enquanto estamos usando as cintas. Além do mais, achei o programa bem caro e não tive nenhum depoimento real de sucesso de alguém próximo a mim.

De toda forma, acreditei que a técnica poderia sim contribuir para o retorno da musculatura abdominal, passei a pesquisar vídeos na internet e adotei em minha rotina de treinos alguns dos exercícios indicados. Tratam-se de exercícios que em vez de trabalharem os retos abdominais, concentram o esforço na contração dos transversos e no fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico (aqueles responsáveis pelo ato de prender o xixi). Esses grupos musculares são pouco trabalhados pelos abdominais tradicionais, pelo fato de se localizarem mais internos na barriga, mas são essenciais para o fechamento dos retos abdominias.

Vejam o posicionamento desses músculos na imagem abaixo:

Imagem relacionada
Imagem relacionada

Mesmo tendo observado uma diminuição considerável na abertura entre os músculos desde quando iniciei os exercícios, ainda sentia um pouco de fragilidade muscular e percebi que o fechamento dos retos abdominais havia estabilizado e continuava existindo um buraco bem no centro do meu umbigo.

Foi nesse contexto que a Gizele Monteiro, profissional do vídeo anterior, entrou na minha vida. Ela é uma personal e coach de gestante responsável pelos programas “gravidez em forma” e “mamães em forma”. O primeiro dedicado ao acompanhamento de mulheres gestantes e o segundo direcionado para mulheres que desejam voltar à forma após o parto.

Apesar de se tratar de programas com vídeo aulas e acompanhamento à distância, a Gizele atua de forma muito presente, por meio da plataforma do What’s App, o que permite seu contato direto as alunas para tirar dúvidas, demonstrar como está a evolução do corpo, além de ser um programa que adota exercícios similares ao da técnica Tupler, sem exigir a utilização da cinta e não está exclusivamente focado na diástase. Os exercícios indicados no programa consideram todas as mudanças ocorridas no corpo da mulher ao longo da gravidez e suas necessidades específicas, como o fechamento da diástase, o emagrecimento, a redução da flacidez, o fortalecimento do assoalho pélvico e a recondução da postura.

Na verdade, esse ultimo ponto foi a cartada final que faltava na minha recuperação. A Gizele me fez compreender que muito mais do que o enfraquecimento muscular, eu tinha, de fato, um problema postural que me impedia de evoluir no fechamento da diástase.

Como eu disse lá no início do texto, trago comigo uma alteração postural desde a infância, que se acentuou bastante ao longo da gravidez. Estou me referindo à hiper lordose da minha região lombar.

Segundo um texto publicado no site do Dr. Drauzio Varela, a hiper lordose ocorre quando há aumento excessivo da curvatura natural da coluna vertebral para dentro do corpo, na direção da frente do abdômen, o que deixa os glúteos mais destacados (síndrome do bumbum arrebitado) e a barriga mais saliente. Ela pode ser ocasionada pelo enfraquecimento dos músculos do abdômen, realização de exercícios físicos mal orientados, má postura e excesso de peso. A gravidez e o balé também são fatores que favorecem a alteração e me parece que foram eles que me levaram à condição.

Resultado de imagem para lordose lombar mulher

O fato é que, mesmo diante do espelho, eu era incapaz de enxergar essa alteração e confesso que cheguei a duvidar que a Gizele estivesse correta no seu diagnóstico, até começar a perceber os primeiros benefícios da adoção, nos meus treinos diários, dos exercícios posturais indicados por ela.

Na verdade, a  ficha começo a cair quando ela me devolveu a imagem, de uma das etapas do meu desenvolvimento que eu havia lhe enviado dias antes, com a projeção de duas linhas que me comprovavam nitidamente o acentuado desvio na minha coluna e o quanto isso projetava meu abdômen para frente.

IMG_6085

Foi somente a parti dali que me dei conta que não importava o quanto eu treinasse e que por mais magra que eu estivesse, não conseguiria perder aquela protuberância abdominal enquanto não me dedicasse aos exercícios posturais que eu teimava em deixar de lado. Depois de alguns meses de prática, percebi que minha musculatura estava mais forte e o que era meu maior desejo estava se concretizando, meu umbigo já não parecia querer saltar da minha barriga, se mostrava mais fechado e a barriga mais reta e com a musculatura mais aparente.

unnamed

Confesso que meu abdômen não voltou 100% a ser o que era antes da gravidez. Hoje sei que além da diástase, outros fatores contribuíram e contribuem para essa diferença. A gordura localizada, que é reflexo daqueles descuidos que a gente comete na alimentação, aliada à flacidez da pele, que inevitavelmente ocorre em mulheres que tiveram grandes barrigas na gravidez, além do constante erro postural (tento me policiar ao máximo, mas quando relaxo lá estou eu empinando o bumbum para trás) são todos fatores que trabalham contra a volta do corpo.

Sei que a eliminação de alguns deles depende do meu esforço individual, mas quanto à flacidez de pele (o motivo do meu umbigo não ter fechado totalmente), não há muito o que fazer, exceto por alguns tratamentos alternativos que me parecem mais paliativos do que a certeza de sucesso, ou ainda pela cirurgia plástica que atualmente não está nos meus planos.

A verdade é que mesmo enxergando um defeitinho aqui e outro ali, atualmente estou super realizada com o meu corpo. Sei o que cada uma dessas imperfeições representa e isso até me faz sentir mais honrada em ser mulher.

Hoje sou capaz de entender que o meu corpo não poderia ser o mesmo após a gravidez, por que eu também não sou a mesma com a chegada da minha filha. Tenho consciência de que a maternidade tem um preço alto e esse é apenas um dos seus ônus, mas me submeto a todos eles com a consciência tranquila, porque estou certa de que os bônus que ando colhendo são ainda maiores. Afinal, porque me importar com um umbigo estranho se ganhei minha melhor amiga e junto com ela o maior amor do mundo!

IMG_1236

Até breve! icone

 

 

 

 

 

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s