Por que ter o segundo filho?

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Há, pelo menos, três décadas, essa pergunta até poderia parecer descabida, pois era certo que os casais desejavam ter vários filhos, constituir uma família numerosa. A ideia de casa cheia era muito bem vinda.

Acontece que a sociedade mudou bastante desde então. O velho modelo patriarcal em que o homem era o único responsável pelo sustento da família, enquanto a mulher se dedicava exclusivamente aos cuidados com a casa e os filhos não é mais o padrão. As mulheres conquistaram o direito de estudar mais, exercer uma profissão, trabalhar fora de casa e contribuir ativamente com o sustento da família. A consequência disso é a falta de tempo e interesse pela maternidade.

Um dos principais argumentos das mulheres que decidiram não ter filhos, ou ter apenas um, é que não têm tempo suficiente para se dedicar a todas as atividades da maternidade. E, na maioria das vezes, esse argumento vem acompanhado de um imensa culpa. É o sentimento que tenho percebido nas minhas amigas que tomaram essa decisão.

Sem falar que a mulher moderna acaba tendo filhos mais tarde, justamente por ter dedicado tanto tempo aos estudos e crescimento profissional. É muito comum que essa mulher só pretenda ter filhos quando já tiver conquistado uma posição confortável no mercado de trabalho e é ainda mais certo que o fator biológico pesa na definição do número de filhos que essa mulher terá.

Ainda conta como elemento desestimulante, o custo de ter muitos filhos. O que as famílias do passado provinham aos seus filhos já não é suficiente hoje. Queremos para eles a melhor escola, cursos de línguas, viagens de férias incríveis, lindas festas de aniversário, as roupas e brinquedos da moda… Muitas dessas coisas são absolutamente desnecessárias, na minha opinião. Mas, a verdade é que não estamos dispostos a abrir mão de nenhuma delas e a questão econômica acaba sendo preponderante na decisão de ter filhos.

Somado a tudo isso, vem o nosso egoísmo. A vontade de dedicar parte do nosso tempo ao outro anda bem distante das nossas prioridades. Por que ter mais motivos de preocupação, mais trabalho, menos tempo e dinheiro para mim mesma? Pode ter certeza de que nosso individualismo pesa sim na decisão de ter filhos.

Bem, a despeito de todos essas razões para não ter filhos – e, desde já, admito que essa opinião deve ser respeitada, independentemente da convicção de cada um, porque se trata de uma decisão que pertence exclusivamente ao casal – alguns ainda se aventurem na constituição de famílias com vários filhos, ou pelo menos, com dois.

Na década passada, as mulheres do país tinham em média 2,14 filhos – número que caiu para 1,74 em 2014 (Arquivo/Agência Brasil).

E o que tem motivado os casais a terem mais de um filho? Quais são as razões que eles encontram para negar a decisão do filho único?

Bem, da mesma forma que conversei com alguns casais que optaram por não ter filhos ou ter apenas um, andei buscando a informação contrária com os casais que decidiram ter mais de um filho. O que eu descobri é que o fator crucial para a maioria deles é o desejo de que o primogênito tenha um irmão ou irmã para lhe servir de companhia diária ou mesmo no caso da ausência dos pais. A incerteza sobre a presença no amanhã faz com que os pais desejem construir famílias mais numerosas na esperança de que, caso algum dia não possam mais cuidar desses filhos, os irmãos se unam e se fortaleçam de forma que suas ausências sejam amenizadas. Certamente, esse é um motivo sábio e muito nobre!

Tem também aquele argumento sobre a utilidade que os filhos exercem quando os pais envelhecem. Aquela corriqueira pergunta: quem vai cuidar de você quando estiver velho? todos nós já ouvimos, não é mesmo? e é sob essa perspectiva que alguns casais decidem ter mais de um filho. Aqui a escolha tem um caráter mais de utilidade e proveito do que de altruísmo.

É claro que outros casais podem ter tido razões diversas para decidir o número da sua prole. Mas uma coisa é certa. Nenhuma das razões apresentadas até aqui ressalta o verdadeiro sentimento que motiva essas pessoas a terem mais de um filho, pelo menos, é nisso que acredito. E vou explicar porque penso assim.

Desde o nascimento de minha filha, há 4 anos, tenho pensado muito sobre essa questão. Esse foi um assunto que ocupou meu pensamento logo que minha pequena nasceu, quando eu ainda sofria com as dificuldades do puerpério. E confesso que meu plano inicial sempre foi ter um único filho (neste post você conhece um pouco mais da minha história com a maternidade). Mas é claro que, como tudo mudou, meus conceitos e certezas também mudaram. Muito mais cedo do que eu imaginava, o desejo de ser mãe tomou conta de mim novamente.

Muito antes daquelas razões me atingirem, eu já tinha as minhas próprias. Desejei ter mais um filho porque eu queria ter mais certeza da decisão de estar grávida (tive uma gravidez planejada, mas duvidei da minha certeza naquele momento); queria viver novamente a gravidez, porém mais plena e consciente; queria sentir novamente o prazer de preparar o enxoval de um bebê; queria ter a oportunidade de experimentar o parto normal (Marina nasceu de uma cesariana necessária, mas indesejada); queria enfrentar com muito mais tranquilidade e força a dor do puerpério; queria acertar mais nos cuidados com meu bebê e me sentir mais segura; queria ouvir novamente a palavra “mãe” na voz do meu bebê, sentir seu cheirinho e a pele macia; queria ser, mais uma vez, a protagonista na formação de um novo ser; queria ter mais um motivo para me tornar um ser humano melhor a cada dia; queria ter mais uma razão pela qual viver; queria transmitir mais amor.

Mas, acima de tudo, eu queria poder sentir a força e intensidade do amor maior em dose dupla. E realmente acredito que essa é a verdadeira razão que move os casais na decisão de ter mais um filho. Apenas um motivo interno, que vem dos sentimentos pode vencer as dificuldades que representam a chegada de mais um filho. Não há outra razão, senão o amor!

É isso o que sinto. É essa força que me impulsiona e encoraja. E foi esse o motivo que me fez chegar até aqui. Sim! agora já posso revelar que estou vivendo a espera do meu segundo filho. Muito mais plena, confiante, certa da minha escolha e feliz por poder dividir a novidade aqui no blog!

E com vocês, como foi ou tem sido a decisão de ter ou não um segundo filho? Fiquem a vontade para dividir comigo o que lhes motivou ou motiva. Vou adorar conhecer suas razões.

Até breve! icone

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